A Reabilitação urbana: reabilitar edifícios e revitalizar cidades

Reabilitação urbana obras

A prática da reabilitação de edifícios não é uma novidade, uma vez que sempre fez parte da história das cidades. No entanto, passou muitos anos em segundo plano em Portugal. Somente após a crise imobiliária e financeira de 2008 é que a reabilitação urbana começou a florescer no nosso país, movida também pelo turismo e por incentivos à reabilitação.

A importância da reabilitação urbana vai além das melhorias estéticas e funcionais. Traz várias vantagens para as cidades. Em primeiro lugar, a reabilitação é uma forma eficiente de melhorar a cidade e o território, controlando a expansão urbana, transformando as estruturas existentes, de forma a atender às necessidades atuais e assim prevenir a degradação acelerada e irreversível do parque edificado. Ao controlar a expansão urbana, é possível transformar estruturas existentes para atender às necessidades atuais, evitando a degradação acelerada e irreversível.

A reabilitação urbana desempenha um papel crucial na transformação positiva das cidades e no impulso à economia de um país. Ao mesmo tempo, a busca por práticas sustentáveis na construção é uma preocupação crescente. Neste artigo, exploramos como a reabilitação de imóveis, o trabalho do arquiteto e engenheiros (e outros intervenientes) e a adoção de medidas sustentáveis podem criar um parque edificado que respeite as preexistências e promova a sustentabilidade.

A reabilitação descontrolada promove fenómenos como a gentrificação e a descaracterização de bairros urbanos, com modos de habitação consolidados, que não conseguem resistir a essas novas estratégias de recuperação, e neste ponto temos a referir que a generalização do pensamento de que quaisquer “obras em casa e remodelações” não carecem de licença, foi um descalabro, sobretudo para os edifícios mais antigos, onde existem, muitas vezes, paredes interiores estruturais, que as pessoas insitem em demolir para criar os open-spaces contemporâneos e que muitos empreiteiros, ou por desconhecimento, ou por mero desleixo, efectuam sem quaisquer estudos, cálculos estruturais e sísmicos, não assumindo qualquer responsabilidade.

A reabilitação de edifícios é uma forma eficiente de melhorar as cidades e o território, mas tem de ser consciente das questões económicas, sociais e construtivas.

 

O PAPEL DA SUSTENTABILIDADE NA REABILITAÇÃO URBANA

A sustentabilidade é uma preocupação presente na reabilitação urbana. A renovação de edifícios antigos oferece uma oportunidade para melhorar a eficiência energética, reduzir o consumo de recursos naturais e diminuir a pegada de carbono. A instalação de isolamento térmico, sistemas de energia renovável e a utilização de materiais eco-friendly são algumas das medidas adotadas para tornar os edifícios mais sustentáveis.

Para promover a reabilitação urbana, o governo e entidades têm implementado uma série de incentivos e programas de apoio. Estas iniciativas visam facilitar o acesso a financiamento, reduzir os custos de intervenção e fala-se agora recentemente em simplificar os processos administrativos de obtenção de licenças, com o programa “Mais Habitação”.

A reabilitação urbana não beneficia apenas o património histórico e cultural, mas também tem um impacto económico significativo. A criação de novos espaços comerciais, a melhoria da infraestrutura e o aumento da atratividade das áreas reabilitadas impulsionam o turismo, geram empregos e contribuem para o crescimento econômico local. Além disso, a valorização dos imóveis nas áreas reabilitadas beneficia os proprietários e investidores.

A reabilitação urbana é um processo contínuo e em constante evolução, e é fundamental que governos, entidades, profissionais e comunidades trabalhem juntos para garantir que as intervenções sejam feitas de forma responsável, preservando a história e a identidade das cidades para as gerações futuras.

Reabilitação urbana sustentabilidade

O PAPEL DO ARQUITETO NA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

O arquiteto é o profissional responsável por desenvolver projetos de arquitetura de reabilitação urbana, desde a obtenção da licença camarária até à gestão, coordenação e execução das intervenções. O seu conhecimento técnico e criatividade são essenciais para conciliar as preexistências arquitetónicas com as necessidades contemporâneas, sem prejudicar o ambiente urbano e os valores patrimoniais em presença. Além disso, o arquiteto auxilia na legalização de construções existentes, orientando os proprietários sobre os procedimentos necessários para obter as devidas autorizações e licenciamentos.

No contexto da reabilitação urbana, a construção sustentável desempenha um papel fundamental. O arquiteto, juntamente com os engenheiros, deve buscar soluções que promovam a eficiência energética, a utilização de materiais eco-friendly e a redução do impacto ambiental. Essas práticas incluem a implementação de sistemas de energia renovável, a adoção de isolamento térmico, a captação de água da chuva e a criação de espaços acessíveis e adaptados, como casas de banho para pessoas com mobilidade reduzida.

Um dos desafios da reabilitação urbana é preservar as preexistências arquitetónicas de valor histórico, cultural, como fachadas históricas, elementos decorativos e traços culturais. O arquiteto desempenha um papel fundamental ao propor alterações nas fachadas que respeitem o caráter original do edifício, por meio do uso de materiais similares ou técnicas de restauro adequadas. Dessa forma, é possível conciliar a modernização do espaço com a preservação da identidade da área.

 

LEGALIZAÇÃO E LICENCIAMENTO DE CONSTRUÇÕES - É SUSTENTÁVEL?

No processo de reabilitação urbana, a legalização de construções existentes desempenha um papel importante. Muitas vezes, construções antigas foram realizadas sem o devido licenciamento, o que pode gerar implicações legais. Nesse sentido, o arquiteto atua no sentido de regularizar essas edificações, orientando os proprietários sobre os trâmites necessários para obter as licenças e autorizações adequadas.

A legalização e licenciamento de construções podem contribuir para a sustentabilidade de uma forma indireta, mas não garantem por si só a sustentabilidade de um projeto ou edificação. No entanto, esses processos são importantes para garantir a conformidade com as normas e regulamentos estabelecidos, visando a segurança, o ordenamento urbano e o bem-estar dos ocupantes.

Ao legalizar uma construção existente ou obter licenças para uma nova construção, é necessário cumprir uma série de requisitos estabelecidos pelas autoridades competentes, que podem variar de acordo com as leis e regulamentos locais. Esses requisitos geralmente envolvem aspectos como zoneamento, uso do solo, tamanho e altura da construção, aspectos estruturais, instalações elétricas e canalizações de água, eletricidade, entre outros.

Ao garantir que as construções estejam em conformidade, o processo de legalização e licenciamento ajuda a evitar problemas futuros, como multas, embargo de obra, futuras notificações para proceder à regularização do património ou mesmo a demolição total ou parcial das irregularidades.

Além disso, o licenciamento de muros de vedação é um aspecto relevante na reabilitação urbana. Esses elementos podem ser fundamentais para a segurança, privacidade e estética das edificações, mas é necessário cumprir com as regulamentações locais. Pode parecer estranho esta situação, mas não nos podemos esquecer que são os muros que fazem a frente edificada para o arruamento.

Reabilitação urbana em Lisboa

 

GABINETES DE ARQUITETURA E ENGENHARIA - ONDE TUDO COMEÇA

A reabilitação urbana, aliada à construção sustentável, tem um impacto significativo na economia de um país, ao estimular investimentos, gerar empregos e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. Nesse contexto, o arquiteto desempenha um papel fundamental na criação de um parque edificado que respeite as preexistências arquitetónicas, promova a sustentabilidade e atenda às necessidades contemporâneas.

Os gabinetes de arquitetura e engenharia são espaços de colaboração e expertise, onde profissionais se unem para desenvolver projetos inovadores e funcionais. Estas equipas multidisciplinares combinam habilidades e conhecimentos complementares para garantir que as intervenções sejam bem-sucedidas. Através da colaboração entre arquitetos e engenheiros, é possível criar soluções inovadoras, eficientes e sustentáveis que contribuam para a transformação positiva das áreas urbanas.

A reabilitação urbana é um processo complexo e desafiador, mas também oferece inúmeras oportunidades. Ao promover a construção sustentável, respeitar as preexistências e envolver os arquitetos e profissionais de engenharia, podemos criar um parque edificado que preserve a identidade das cidades, promova a sustentabilidade ambiental e social, e impulsione o desenvolvimento econômico.

 

HONORÁRIOS DE PROJETOS

A reabilitação urbana é um investimento no presente e no futuro, resultando em cidades mais vibrantes, funcionais e inclusivas para todos os seus habitantes.

Os honorários de arquitetos e engenheiros são um investimento necessário para garantir a qualidade e a segurança dos projetos de reabilitação de edifícios. Os profissionais desta área possuem conhecimentos técnicos especializados e são capazes de lidar com os desafios específicos ao revitalizar edifícios antigos. Ao contratar um arquiteto ou um gabinete de arquitetura e engenharia, está a garantir que o seu projeto seja desenvolvido de acordo com as normas e regulamentações vigentes, resultando em intervenções bem-sucedidas e duradouras - saiba mais sobre quanto custa um projeto de arquitetura.

A transformação de layouts muito comum nos projetos de renovar apartamentos antigos, é também uma situação à qual deve estar atenta, isto porque nem todas as intervenções são enquadráveis em obras isentas e requerem um enquadramento legal ajustado à localização, ao imóvel em si e às intervenções construtivas a executar nessa obra.

REABILITAR CASAS

Ao reabilitar casas e edifícios antigos, é fundamental respeitar as preexistências, materiais tradicionais e a história do local. O arquiteto, ao desenvolver um projeto de reabilitação, deve buscar harmonia entre o antigo e o novo, preservando a essência do lugar. Isso pode envolver a recuperação de elementos originais, a reutilização de materiais existentes e a integração de soluções contemporâneas, de forma compatível.

A reabilitação urbana desempenha um papel fundamental na transformação positiva das cidades e no impulso à economia de um país. Através da construção sustentável, do respeito às preexistências e do trabalho do arquiteto, é possível criar um parque edificado que respeite a história e promova a sustentabilidade.

É essencial reconhecer a importância dos arquitetos e dos profissionais de engenharia nesse contexto. Ao contar com seus conhecimentos técnicos, criatividade e compromisso com a sustentabilidade, podemos transformar espaços urbanos degradados em ambientes funcionais, esteticamente agradáveis e adaptados às necessidades contemporâneas. Poderá ainda informar-se junto do seu arquiteto sobre os benefícios e incentivos disponíveis, como por exemplo o IVA reduzido para as obras de reabilitação urbana.

Além disso, o respeito pela legislação aplicável a vários níveis, pode até mesmo ter de incluir casas de banho para pessoas com mobilidade reduzida, é uma preocupação essencial na reabilitação urbana e é um fator de melhoria progressiva no património edificado. Garantir a acessibilidade é uma maneira de promover a inclusão social e permitir que todas as pessoas desfrutem plenamente dos espaços habitacionais. O arquiteto desempenha um papel fundamental ao projetar espaços adaptados, levando em consideração as necessidades específicas das pessoas com mobilidade reduzida.

 

REABILITAÇÃO DE CASAS TRADICIONAIS PORTUGUESAS

Dentro das áreas urbanas e rurais, a reabilitação de casas tradicionais portuguesas tem se tornado uma tendência. Preservar estas casas requer um estudo aprofundado e uma compreensão adequada de suas características construtivas, compatibilidade de materiais e sistemas construtivos, muitas vezes intervenções afastadas do enquadramento de obras isentas. Observa-se um aumento gradual na reabilitação de casas tradicionais, até exemplares de arquitetura popular portuguesa. Estas construções possuem um valor cultural e histórico significativo, e a reabilitação dessas casas preserva a autenticidade e a identidade cultural das regiões. A utilização de materiais tradicionais e técnicas construtivas antigas é um aspecto importante nesse processo, garantindo a preservação da estética original dessas casas.

Outro elemento que pode ser explorado na reabilitação urbana é a casa-pátio, um modelo de habitação que valoriza a utilização de espaços abertos no interior das construções. Essas áreas, por vezes, ajardinadas proporcionam iluminação natural, ventilação e promovem a interação social, contribuindo para a qualidade de vida dos habitantes. O arquiteto, ao conceber projetos de reabilitação, pode explorar a criação de pátios internos, adaptando-os ao contexto local e às necessidades dos usuários (muito usual na zona do Alentejo e Algarve).

Esperamos que este artigo tenha fornecido insights relevantes sobre a influência da reabilitação urbana na economia de um país, o papel do arquiteto na criação de um parque edificado sustentável e a importância de respeitar as preexistências. Ao adotar abordagens sustentáveis e colaborativas sobretudo nas áreas de reabilitação urbana já delimitadas e em outras áreas em estudo, podemos construir cidades mais resilientes, socialmente inclusivas e ambientalmente conscientes.

Fotos: unsplash.com de Guilherme Cunha, Dan Gold e Andre Benz

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